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Setembro Amarelo nas empresas: não deixe para a última hora

Planejando ações de Setembro Amarelo na empresa

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O planejamento do Setembro Amarelo nas empresas não deve começar na última semana de agosto. É preciso tempo para fazer diagnóstico interno, capacitar lideranças e estruturar canais de escuta antes de qualquer campanha, transformando a data em parte de uma rotina de prevenção em saúde mental, e não em uma ação isolada.

Ainda assim, essa é a realidade de boa parte do RH brasileiro todos os anos: esperar a última semana de agosto, perceber que setembro está batendo na porta e correr atrás de palestrante, tema e orçamento ao mesmo tempo.

O resultado é conhecido: Uma ação bonita no calendário, mas isolada e superficial, que termina no dia 30 e não gera impacto sustentável nem deixa legados de cuidado para o resto do ano. 

Burnout no trabalho: os números que explicam a urgência 

O adoecimento mental no trabalho deixou de ser tendência e virou estatística consolidada. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os afastamentos por burnout cresceram mais de 800% em quatro anos, saltaram de 823 concessões em 2021 para 7.595 em 2025, o maior patamar já registrado.

 Considerando todos os transtornos mentais, o país concedeu mais de meio milhão de licenças no ano passado, estabelecendo um novo recorde da série histórica.

As denúncias trabalhistas seguiram o mesmo caminho. Os registros de saúde mental no ambiente de trabalho recebidos pelo Ministério Público do Trabalho passaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025. Esses dados revelam uma mudança cultural: os trabalhadores estão mais informados sobre seus direitos e menos dispostos a tratar exaustão como parte do trabalho.

Para o RH e para a gestão estratégica, esses números têm uma leitura prática: cada afastamento representa perda de conhecimento, sobrecarga para quem fica e custo direto. Estruturar ações para reduzir afastamentos por saúde mental é menos oneroso do que administrar as consequências depois.

Por que ações de última hora não funcionam

Uma palestra contratada às pressas pode até informar, mas não transforma a cultura organizacional.

O problema não é a palestra em si, mas sim a ausência de contexto antes e de continuidade depois.

  • Sem diagnóstico prévio, a empresa aborda um tema genérico em vez de enfrentar os fatores reais que geram sofrimento em suas equipes. 
  • Sem lideranças preparadas, o gestor que recebe um relato sensível no dia seguinte não sabe como acolher nem como agir.  
  • Sem canais de acolhimento estruturados, a campanha estimula as pessoas a falarem, porém sem oferecer um ambiente seguro e qualificado para direcioná-las. 

Planejar com antecedência resolve exatamente essa sequência: primeiro  compreender, depois comunicar com intencionalidade e, por fim, sustentar o cuidado continuado

NR-1 e riscos psicossociais: prevenção deixou de ser opcional 

Desde 26 de maio de 2026, a fiscalização dos fatores de risco psicossociais previstos na NR-1 tem caráter punitivo. Isso significa que mapear os riscos psicossociais no PGR passou de uma boa prática a exigência legal e que sobrecarga, metas abusivas, assédio moral e falta de apoio das lideranças precisam ser formalmente identificados, avaliados e tratados com evidências documentais.

Aqui existe um risco silencioso: usar a campanha de setembro como prova de conformidade. Auditores não avaliam cartazes e camisetas amarelas, eles analisam se a gestão de riscos psicossociais é parte viva da rotina da empresa.

Por isso, é fundamental entender a diferença entre uma adequação eficaz ou superficial à norma antes de garantir que a empresa está protegida juridicamente.

A consequência de tratar o tema apenas na superfície aparece quando ocorre uma denúncia relacionada à NR-1: nesse momento, o que sustenta a defesa da empresa são as evidências técnicas de registros de treinamentos, planos de ação executados e revisões periódicas, não a ação pontual do mês anterior.

Planejamento do Setembro Amarelo: como estruturar uma ação com propósito 

Um mês de campanha bem estruturado nasce de um trabalho que começa semanas antes. Uma sequência que funciona:

  • Diagnóstico em primeiro lugar: levantar indicadores que já existem, como absenteísmo, afastamentos, rotatividade, clima, para definir os temas com base na realidade da empresa, não em suposições.
  • Palestras e workshops com objetivo definido: promover conscientização ampla para todos, e conteúdo mais aprofundado para grupos com maior exposição de risco.
  • Capacitação ativa de lideranças: gestores são os primeiros a perceber mudanças de comportamento. Precisam saber reconhecer sinais, conduzir uma conversa difícil e encaminhar.
  • Canais de escuta ativos antes da campanha: falar sobre sofrimento aumenta a procura por ajuda. O caminho de acolhimento precisa existir quando a demanda chegar.
  • Calendário continuado: Setembro como marco de visibilidade, com ações distribuídas nos meses seguintes e registros de tudo o que foi executado.

A comunicação interna também merece cuidado.

Campanhas que romantizam sofrimento ou usam linguagem alarmista afastam as pessoas em vez de aproximá-las.

O que o Setembro Amarelo representa

Criado em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida em parceria com entidades médicas, o movimento se consolidou como a principal campanha nacional de prevenção ao suicídio, com foco na valorização da vida e na ideia de que conversar muda desfechos. Nas empresas, ele abre espaço legítimo para um assunto que costuma ficar em silêncio.

É essencial  reforçar internamente que o CVV atende gratuitamente pelo 188 (disponível 24 horas por dia, além de chat e e-mail), uma informação simples que precisa circular junto com qualquer ação de conscientização.

Perguntas frequentes

Quando começar a planejar o Setembro Amarelo?

O ideal é iniciar entre 60 e 90 dias antes, o que permite fazer diagnóstico, alinhar lideranças, definir temas com base em dados e garantir agenda dos profissionais envolvidos.

Uma palestra é suficiente para cumprir a NR-1?

Não. A norma exige identificação, avaliação e tratamento dos fatores de risco psicossociais, com plano de ação e evidências de execução. Uma ação isolada não comprova gerenciamento de riscos.

Como medir se a ação funcionou?

Acompanhando indicadores antes e depois: procura por apoio psicológico, absenteísmo, afastamentos, participação nas atividades e percepção de segurança para falar sobre o tema.

Empresas pequenas também precisam fazer isso?

Sim. A exigência de gerenciar riscos psicossociais não depende do porte, e o formato pode ser proporcional à estrutura, o que não muda é a necessidade de identificar riscos e registrar as medidas adotadas.

O melhor Setembro Amarelo começa antes de setembro

Prevenção não se improvisa em três semanas. Quando o cuidado com as pessoas já faz parte da rotina, setembro deixa de ser uma obrigação de calendário e passa a ser o momento de dar visibilidade a algo que a empresa pratica o ano inteiro, com o benefício de sustentar a conformidade em saúde mental exigida pela NR-1

A Caliandra Saúde Mental apoia a sua empresa em todas as etapas dessa jornada: do diagnóstico dos riscos psicossociais e capacitação de lideranças até o suporte psicológico especializado. Unimos inteligência jurídica, rigor técnico-metodológico e acolhimento humano para transformar a saúde mental do seu negócio. 

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