Já é Carnaval no Brasil. A festa brasileira mais animada começa oficialmente no fim de semana do dia 14, daqui a alguns dias, mas há algumas semanas já vemos, em todo o país, os aquecimentos para a grande folia.
Poucas festas no mundo têm o poder de reunir tanta gente com o mesmo propósito: se divertir, descarregar a pressão e celebrar a música e os encontros. É como se houvesse uma “autorização” implícita para fazermos o que nos der na telha. E isso pode se tornar um teste importante para a nossa saúde mental.
Para muitas pessoas, a intensidade da festa pode provocar estresse, ansiedade e exaustão emocional, especialmente quando combinada a noites mal dormidas e pressão social para “aproveitar ao máximo”. E isso vale até para quem não é “folião profissional” e tem lugar marcado nos blocos. Mesmo pessoas mais introvertidas podem se sentir cobradas — por elas mesmas e por seu grupo — a participar e se jogar na folia.
A ideia, claro, não é renegar o Carnaval, mas aprender a equilibrar diversão e bem-estar. Sabemos que quando ultrapassamos limites ou ignoramos sinais de cansaço, podemos chegar ao fim da maratona não apenas esgotados, mas com uma espécie de ressaca emocional. É o que muitos especialistas chamam de melancolia ou depressão pós-Carnaval, que inclui sinais como distúrbio temporário no sono, irritabilidade e dificuldade para retomar a vida.
Como manter a balança Carnaval-saúde mental equilibrada?
1 – Dizer não é um grande sinal de autocuidado
Não há nada errado em gostar de sair nos trios elétricos e nos bloquinhos e, ao mesmo tempo, preferir voltar cedo para casa. Ou se não quer beber algo alcoólico. Dizer não, ainda que os amigos insistam, não é fraqueza, é autocuidado. A pressão para participar de todos os eventos carnavalescos é um dos maiores fatores de estresse nesse período.
2 – Direção e álcool nunca combinam
Quer beber? Organize para que alguém lhe dê uma carona ou faça uso de um carro de aplicativo ou táxi. Em nenhuma circunstância, álcool e direção combinam. Nem mesmo se você alegar que bebeu “apenas” uma cervejinha. O álcool, em qualquer quantidade, afeta negativamente a resposta motora na direção, tornando-nos mais lentos, bem como a nossa capacidade cognitiva.
3 – O seu corpo é quem o carrega na folia
Esta é uma dica óbvia, mas que muitos, na animação, ignoram: é o seu corpo que permite a você brincar no Carnaval. Assim, manter uma alimentação mais leve e equilibrada, e, principalmente, hidratar-se — dadas as altas temperaturas do verão — são medidas que impactam muito mais do que você imagina. Outro ponto essencial: reserve períodos para descansar. Quebrar a rotina de sono por vários dias seguidos aumenta o risco de fadiga física e mental.
Muitos brasileiros aproveitam os dias de Carnaval não para cair na folia, mas para descansar, sair com os amigos e desacelerar — e não há nada errado nisso. O importante é ter ciência de qual a sua expectativa em relação a ele e ser coerente com a sua decisão.
É sempre bom lembrar: dançar, cantar, festejar e estar ao lado dos amigos têm muitos efeitos positivos sobre a saúde mental, ao trazerem senso de pertencimento e conexão.
Seja no meio da festa, seja no descanso, o segredo é observar-se e ajustar o ritmo quando necessário. O Carnaval é um convite à alegria, mas também pode ser uma oportunidade de praticar o respeito aos nossos limites. Isso, meu amigo e minha amiga, é o que podemos chamar de bem-estar consciente.
*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.
Fonte: Forbes




