A volta às aulas marca o início de um novo ciclo, com mudanças de rotina, retomada de vínculos e novas expectativas. Esse período, além de desafiador, também representa uma oportunidade estratégica para fortalecer o cuidado emocional no ambiente escolar. Para muitos estudantes e educadores, porém, esse período também intensifica desafios emocionais que já vinham se acumulando ao longo do ano letivo.
Dados recentes mostram que o ambiente escolar tem sido vivido, por uma parcela significativa da comunidade educacional, mais como um espaço de desgaste do que de proteção emocional. Ao mesmo tempo, esses dados reforçam o quanto a escola pode e deve ser um espaço potente de transformação e promoção de saúde mental.
O que os dados mostram sobre saúde mental no ambiente escolar
O levantamento “Saúde Mental na Educação Básica”, realizado pelo Instituto Educbank de Educação e Cultura em parceria com a Great Place to Study (2025), ouviu mais de 18 mil participantes, entre estudantes, educadores e familiares.
Os resultados revelam um cenário preocupante:
- 64% dos estudantes afirmam que o ambiente escolar é percebido como prejudicial à sua saúde mental;
- Entre os educadores, esse percentual sobe para 75%.
Esses números apontam para a urgência de investir em estratégias de acolhimento, prevenção e suporte emocional dentro das instituições de ensino.
Como esse impacto aparece no cotidiano de alunos e professores
De acordo com o mesmo levantamento, sentimentos como cansaço constante, ansiedade, sobrecarga emocional e sensação de isolamento estão entre os mais relatados por estudantes e educadores. Esses sintomas tendem a se intensificar em períodos de adaptação, como a volta às aulas, quando as exigências acadêmicas e emocionais aumentam simultaneamente.
No cotidiano escolar, esses sinais podem se traduzir em dificuldade de concentração, queda no rendimento, conflitos interpessoais, absenteísmo e maior vulnerabilidade emocional.
Identificar esses sinais precocemente permite intervenções mais efetivas e a construção de ambientes mais seguros e sustentáveis.
O cenário entre os estudantes
Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) mostram uma queda significativa nos indicadores de pertencimento escolar entre 2000 e 2022. Ao longo da trajetória educacional, observa-se um adoecimento progressivo do bem-estar psicológico:
- Os indicadores caem de 80 pontos nos anos iniciais para 64 pontos no ensino médio;
- 57% dos alunos não acreditam que a escola ou os professores se preocupem com seu bem-estar;
- Apenas 22% afirmam se sentir plenamente reconhecidos e acolhidos no ambiente escolar.
Esses dados evidenciam a importância de fortalecer ações que promovam pertencimento, escuta e reconhecimento, especialmente ao longo do desenvolvimento escolar.
O cenário entre os educadores
Entre os professores e profissionais da educação, o desgaste emocional também é expressivo. Segundo o levantamento:
- 75% dos educadores relatam sentir-se “constantemente desgastados pelo trabalho” em níveis que comprometem a saúde mental, com sintomas compatíveis com burnout.
Esse cenário é ainda mais complexo quando observamos que:
- 91% dos educadores associam a profissão à felicidade;
- 90% relatam conexões profundas com colegas de trabalho.
Essa coexistência entre propósito, vínculo e exaustão aponta para a necessidade de políticas institucionais de cuidado que preservem o sentido da docência sem naturalizar o adoecimento.
O papel estratégico da escola no cuidado emocional
A escola não substitui o acompanhamento clínico, mas ocupa uma posição central na promoção do bem-estar emocional. É no ambiente escolar que sinais de sofrimento costumam surgir, tornando a instituição um espaço privilegiado para prevenção, identificação precoce e encaminhamentos adequados.
Práticas como escuta ativa, relações respeitosas, construção de vínculos e ações estruturadas de educação emocional contribuem para ambientes mais seguros e saudáveis para todos.
Cuidar também faz parte do processo educativo
Promover saúde mental no contexto escolar exige intenção, preparo e apoio especializado. Quando o cuidado é incorporado à rotina institucional e não restrito a momentos de crises, os impactos positivos se refletem no clima escolar, na aprendizagem e nas relações.
A Caliandra atua como parceira de escolas, famílias e educadores no desenvolvimento de ações de prevenção, acolhimento e cuidado em saúde mental, contribuindo para ambientes educacionais mais equilibrados e sustentáveis.
Cuidar da saúde mental também é educar.
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